Ciências Médicas

Medicina

Hipertensão Arterial

Autor: Daniela Barbosa

Farmacêutica

Data de criação: 28/04/2015

Resumo: Apresentação do conceito de Hipertensão Arterial... A Hipertensão Arterial designa uma elevação excessiva da pressão arterial, acima dos (...)

Palavras chave:  medicina

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Importante: os textos desta secção são meramente descritivos e não constituem nem substituem aconselhamento médico.

Conceito de Hipertensão Arterial

A Hipertensão Arterial designa uma elevação excessiva da pressão arterial, acima dos valores de referência para a população em geral, sendo considerada como uma das doenças mais comuns do mundo moderno.

A tensão arterial, ou pressão arterial, pode ser definida como a pressão que o sangue exerce nas paredes das artérias onde circula. A tensão arterial sistólica (TAS), ou máxima, refere-se ao valor alcançado durante a contracção do coração (sístole), enquanto a tensão arterial diastólica (TAD), ou mínima, é o valor alcançado com a distensão e relaxamento do coração. Quando se avalia a tensão arterial deve ter-se em consideração estes dois parâmetros.

A tensão arterial pode ser medida utilizando o método auscultatório (que utiliza esfigmomanómetro e estetoscópio) ou, de uma forma mais simples, um tensiómetro automático. A técnica de medição começa com a insuflação (manual ou automática) de uma braçadeira colocada no braço ao nível do coração, com uma pressão acima da TAS esperada. Quando a medição é feita com recurso ao esfigmomanómetro, utiliza-se um estetoscópio colocado sobre a artéria braquial para ouvir os sons de Korotkov enquanto o ar da braçadeira é esvaziado. O primeiro som que é ouvido corresponde à TAS. Os sons mantêm-se até que a pressão iguala a TAD, desaparecendo nesse momento. Os tensiómetros automáticos realizam todo este processo automaticamente, existindo dispositivos que fazem a medição no braço e outros que fazem a medição no pulso. A medição da tensão arterial deve ser realizada em repouso, após 3 a 5 minutos de descanso, com o indivíduo sentado e sem falar.

Actualmente considera-se que os valores normais de tensão arterial, para um adulto saudável, são para a TAS (máxima) entre 100 e 139 mm HG e para a TAD (mínima) entre 60 e 89 mm Hg. Estes valores de referência terão de ser revistos nos casos em que o indivíduo possua outros factores de risco cardiovascular, como por exemplo obesidade, diabetes, hipercolesterolémia, tabagismo… Quando um indivíduo apresenta em medições repetidas, efectuadas em ambiente clínico, valores acima destes, considera-se que tem Hipertensão.

Para valores de TAS entre 130 e 139 mm HG e TAD entre 85 e 89 mm HG, considera-se que há uma situação de Tensão Arterial Normal Elevada. Sendo casos que normalmente podem evoluir para Hipertensão devem ser vigiados e fazer-se alguma intervenção clínica.

Como auxílio ao diagnóstico da hipertensão ou para avaliação das intervenções terapêuticas, podem ser realizadas medições fora do consultório. Isto permite obter um maior número de dados e valores mais reais já que a medição é feita no contexto do dia-a-dia do doente, permitindo ultrapassar os casos de normotensão mascarada e os casos da chamada “Hipertensão da Bata Branca”, ou seja, indivíduos que só apresentam valores alterados de Tensão Arterial na presença de um profissional de saúde. Actualmente existem inúmeros dispositivos automáticos e muito simples que permitem que o doente faça a medição a si próprio. Pode ainda ser necessário realizar medições ao longo do dia-a-dia do doente e neste caso o indivíduo utiliza um dispositivo durante 24h que vai fazendo medições regulares, permitindo conhecer o perfil de valores reais durante a vida quotidiana.

A prevalência de Hipertensão é bastante elevada na Europa, sendo considerada um dos factores associado ao risco cardiovascular, ou seja, risco de surgirem eventos cardíacos ou vasculares com uma grande morbilidade e mortalidade associadas. Em Portugal, um estudo de 2013 inserido no Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares mostrou que a hipertensão apresenta uma prevalência de 26,9%, sendo que destes apenas 35,6% têm a doença controlada. A grande maioria dos doentes são idosos (72%), no entanto o estudo mostra também que a doença surge com frequência em faixas etárias cada vez mais baixas.

Valores elevados de tensão arterial podem dar alguns sintomas como dores de cabeça, tonturas, cansaço ou mau-estar. No entanto, na maioria dos casos não surge qualquer sintoma ou são associados a outra causa, fazendo com que a doença não seja diagnosticada precocemente. Apenas a medição regular da tensão arterial permite a detecção do problema.

A partir do momento em que há valores de tensão arterial acima do normal, o indivíduo deve ser aconselhado fazer alterações no estilo de vida, nomeadamente:

· Redução do consumo de sal. O consumo de sal em Portugal é em média 3 a 4 vezes superior ao recomendado. Por isso, deve ser reduzida gradualmente a adição de sal à alimentação, podendo ser substituído, por exemplo por ervas aromáticas. Além disso deve ter-se em atenção os alimentos processados que normalmente também contêm quantidades excessivas de sal adicionado.

· Caso exista excesso de peso, redução do peso corporal. Em muitas situações, apenas a redução do peso é suficiente para baixar a tensão mais próximos do normal.

· Redução do consumo de álcool

· Combate ao sedentarismo e ao stress

· Controlo dos níveis de colesterol e glicémia

· Cessação tabágica

Em situações mais graves, associado a estas alterações, pode ser prescrita terapêutica farmacológica. Normalmente, é uma terapêutica crónica que não cura a doença, mas que permite manter os valores em níveis considerados normais. Isto significa que, se o doente parar de tomar o medicamento a tendência é que os valores voltem a subir. Existem vários grupos farmacoterapêuticos que reduzem a tensão arterial, devendo ser escolhido pelo médico qual o mais adequado, consoante a causa da hipertensão, os valores de tensão arterial registados, outras doenças associadas e factores individuais de cada doente.

 

 

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